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«Flores de Jasmim» no espelho de «Manhã Submersa»

Sobre o ensaio de Joaquim Tenreira Martins que lê «Flores de Jasmim» em paralelo com «Manhã Submersa», de Virgílio Ferreira.

Em Janeiro de 2012, o cronista Joaquim Tenreira Martins publicou na revista Capeia Arraiana um ensaio que lê «Flores de Jasmim» em paralelo com «Manhã Submersa», de Virgílio Ferreira (1953). A coincidência que torna o exercício rico é simples e rara: dois romances portugueses cuja acção se desenrola, do princípio ao fim, no interior de um seminário.

Dois seminários, duas épocas

Tenreira Martins identifica nas duas obras uma semelhança estrutural — o cenário fechado, claustral — e, ao mesmo tempo, uma profunda divergência de tom. O Seminário Menor do Fundão dos anos quarenta, descrito por Virgílio Ferreira, é um universo concentracionário onde a infância se faz sob o medo do castigo e o olhar dos prefeitos de disciplina. O Seminário Maior do Funchal, em 1969, é outra coisa inteiramente: um espaço já tocado pela contestação pós-conciliar, num Portugal em vésperas de transformação, onde o seminarista descobre o mundo, a cidade e o desejo num clima quase tropical.

A primeira obra é atravessada pelo medo; a segunda, pelo apelo de uma liberdade ainda vigiada mas já entrevista.

Júlio e Guida

A figura de Júlio, segundo o crítico, beneficia da formação anterior do autor em psicologia: as primeiras inquietações amorosas do seminarista são dissecadas com minúcia clínica. E quando Guida — jornalista vinda do continente, instalada como estagiária num diário funchalense — entra no perímetro do seminário para escrever uma reportagem, o paralelismo entre dois mundos transforma-se em colisão amorosa.

Tenreira Martins evoca duas referências para descrever o efeito: a entrada de Eva no jardim das delícias, e o mito de Romeu e Julieta deslocado para o século XX, com a proibição reescrita à medida das normas eclesiásticas e sociais da época.

O Funchal como personagem

Um terceiro eixo do ensaio merece sublinhado: o Funchal não é cenário, é personagem. O autor — afastado há muitos anos da Madeira natal — convoca a cidade através de ruas, praças, jardins e cafés, devolvendo aos lugares uma presença viva. O crítico sugere que a sensualidade da escrita reflicta também os anos do autor passados em Argel, ao serviço da delegação da União Europeia, e a influência das tradições narrativas que aí se encontram.

Ler o ensaio

A análise completa de Joaquim Tenreira Martins está disponível na revista Capeia Arraiana, e merece a leitura integral:

📄 «Manhã Submersa e Flores de Jasmim», por Joaquim Tenreira MartinsCapeia Arraiana, 15 de Janeiro de 2012


Para o texto integral da apresentação do romance na Livraria Orfeu, em Bruxelas, lê a recensão de Joaquim Silva Rodrigues. A página dedicada ao livro com indicações para encomenda está aqui.

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